Ativista e influenciador de extrema direita estadunidense, Charlie Kirk, fala antes de ser alvo de um atentado a tiros, em evento na Utah Valley University, em Orem, Utah, EUA - 10/09/2025 (Foto: Trent Nelson/The Salt Lake Tribune via REUTERS)

Joe Kent diz que Charlie Kirk era contra guerra com o Irã e levanta suspeitas sobre assassinato do ativista de extrema-direita

O ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, afirmou que o ativista de extrema-direita Charlie Kirk defendia evitar uma guerra com o Irã pouco antes de ser assassinado. Em entrevista ao apresentador Tucker Carlson, Kent também levantou questionamentos sobre as circunstâncias da morte e sobre a interrupção de investigações relacionadas ao caso.

Segundo Kent, o último encontro com Kirk ocorreu em junho de 2025, na Ala Oeste da Casa Branca. De acordo com o ex-diretor, o aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou preocupação com uma possível escalada militar no Oriente Médio. A entrevista foi concedida ao programa de Tucker Carlson.Play Video

“Joe, impeça que entremos em uma guerra com o Irã”, teria dito Kirk, segundo relato de Kent. Ele acrescentou que o ativista defendia que os Estados Unidos reconsiderassem sua relação com Israel e evitassem um confronto direto com Teerã.

Kent afirmou ainda que a morte de Kirk ocorreu de forma abrupta e em público, o que, segundo ele, deveria motivar maior escrutínio. “E então ele é repentinamente assassinado em público e não podemos fazer nenhuma pergunta sobre isso?”, declarou. O ex-diretor também disse que a investigação conduzida pelo Centro Nacional de Contraterrorismo foi interrompida antes de ser concluída.

De acordo com Kent, havia elementos que ainda precisavam ser apurados. “Mas ainda havia muita coisa para investigarmos que não posso realmente detalhar. Há perguntas sem resposta”, afirmou. Ele também mencionou que mensagens de texto tornadas públicas indicariam que Kirk estava sob pressão de doadores pró-Israel.

Renúncia por oposição à guerra

A entrevista ocorre após a saída de Kent do comando do Centro Nacional de Contraterrorismo. Ele renunciou ao cargo na terça-feira (17), alegando discordância com a guerra em curso contra o Irã.

Em carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Kent afirmou que tomou a decisão após reflexão. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, escreveu. O ex-diretor também declarou que não via o Irã como uma ameaça imediata ao país. “Está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel”, acrescentou Kent na carta de renúncia.