Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), Igor Calvet, no Palácio do Planalto, em Brasília – DF. Crédito: Ricardo Stuckert

Lula afirma que prótese dentária do SUS feita em 3D supera a de Trump, às vésperas da decisão dos EUA sobre tarifa de 25%

Às vésperas da decisão dos Estados Unidos sobre uma tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em tom de brincadeira, que a prótese dentária produzida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com tecnologia 3D é mais avançada do que a utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

A declaração foi dada nesta terça-feira (14), durante uma audiência com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, no Palácio do Planalto.

Ao abordar os investimentos do governo federal em atendimento odontológico, Lula destacou a compra de 880 unidades móveis destinadas a levar serviços de saúde bucal a comunidades distantes dos centros urbanos. Segundo o presidente, a iniciativa busca atender pessoas que enfrentam dificuldades para chegar a consultórios ou unidades de saúde.

“Nós compramos 880 vans para fazer ambulatório odontológico. Ou seja, já que o pobre que está no meio do mato não pode ir até a cidade, no dentista, que a gente vá até ele. Inclusive, não faz mais molde de dentadura, agora escaneia a boca do cidadão e faz a prótese em uma máquina 3D. O que é uma coisa que, nem a dentadura do Trump é igual a essa”, disse Lula.

A comparação com Trump ocorreu em meio ao aumento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (15) se aplicará uma nova tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.

A medida está relacionada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR. O órgão analisa práticas brasileiras consideradas desleais pelo governo norte-americano em áreas como comércio digital, proteção da propriedade intelectual e meio ambiente.

Entre os temas incluídos na apuração estão o funcionamento do Pix, as regras brasileiras sobre propriedade intelectual e o combate ao desmatamento ilegal. O resultado da investigação poderá fundamentar a adoção de novas barreiras contra produtos do Brasil.

Apesar da manutenção dos canais de negociação, integrantes do Palácio do Planalto avaliam como reduzida a possibilidade de o governo norte-americano desistir da cobrança. A leitura da administração brasileira é de que os argumentos técnicos apresentados até agora podem não ser suficientes para alterar a posição dos Estados Unidos.

O governo Lula ainda discute quais medidas poderá adotar caso a tarifa seja confirmada. A orientação transmitida pelo presidente é manter as negociações até o anúncio oficial de Washington e evitar uma reação antecipada.

Somente depois da decisão prevista para quarta-feira (15), o Planalto deverá definir sua resposta. O governo trabalha com diferentes cenários, tanto para a eventual confirmação do aumento tarifário quanto para uma mudança de posição por parte das autoridades norte-americanas.

Reunião com a indústria automotiva

A fala de Lula ocorreu durante um encontro solicitado pelo presidente da Anfavea. Igor Calvet foi ao Palácio do Planalto para celebrar a marca de 3 milhões de veículos emplacados no país em 2026.

Durante a audiência, o presidente tratou de ações do governo e citou os investimentos na estrutura do SUS como exemplo do uso de novas tecnologias em políticas públicas. A referência a Trump surgiu enquanto Lula explicava o processo digital de produção de próteses, que substitui os moldes tradicionais pelo escaneamento da boca dos pacientes.