O jornalista Rubens Valente afirma que “agora já temos dois figurões da República dizendo basicamente a mesma coisa, que adversários de Dilma conversaram com o meio militar e que altos generais se meteram, de um jeito ou de outro, no processo de impeachment de uma presidente da República”

Colunista do 247 Tereza Cruvinel critica a declaração do senador Romero Jucá, presidente do PMDB, de que o partido poderá ter candidatura própria à Presidência para “defender o legado” de Michel Temer; “Se a ameaça se confirmar, os eleitores brasileiros, já castigados pelos retrocessos de Temer, serão também obrigados a ouvir 85,5 segundos diários de bazófia peemedebistas. Embora tenha apenas 5% de preferência dos eleitores e possa até desaparecer em alguns estados – como o Rio, onde todos os quadros do partido estão presos ou sendo investigados – o PMDB tem o maior tempo de televisão e poderá veicular 3,2 inserções diárias, afora o tempo dividido nas edições da tarde e da noite do horário eleitoral”, diz Tereza (Foto: Tereza Cruvinel)

O jornalista Rubens Valente, em artigo publicado no portal UOL nesta terça-feira (3)  relata que, “quando ouvi pela primeira vez, em 19 de maio de 2016, as conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro e delator Sérgio Machado com três peemedebistas fundamentais – Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney -, a atenção se concentrou nas expressões mais fortes e que gerariam intensa repercussão na época, como ‘o grande acordo nacional’, ‘com o Supremo com tudo’ e o plano de “estancar a sangria” gerada pela Operação Lava Jato”

O jornalista diz que “sempre achei, desde o começo, que um trecho das conversas não havia recebido o destaque que merecia nas análises dos observadores políticos, nas ruas e nas redes sociais. Tratava-se de uma revelação lateral mas muito preocupante feita por Jucá numa das conversas com Machado. O então senador disse que estava conversando – ou consultando, sentindo a temperatura – com “alguns ministros do Supremo” e de comandantes militares a respeito do impeachment. E, principalmente, disse que recebeu um aval dos militares”.

“Era estarrecedor esse tipo de conversa porque, depois dos 21 anos da longa noite dos arbítrios, ilegalidades e crimes cometidos pela ditadura militar, lá estava de novo parte da elite política brasileira abrindo espaço para militares opinarem sobre assuntos políticos civis. Nós sabemos como esse filme acaba”< a acrescenta. 

“não resta dúvida de que o relato de Temer está em perfeita sintonia com as revelações que Jucá fez a Sérgio Machado. Agora já temos dois figurões da República dizendo basicamente a mesma coisa, que adversários de Dilma conversaram com o meio militar e que altos generais se meteram, de um jeito ou de outro, no processo de impeachment de uma presidente da República”

Fonte: Brasil 247