Jeremy Corbyn (Foto: REUTERS/HENRY NICHOLLS)

Setores da direita no partido e na sociedade civil vêm há anos pressionando pelo cancelamento de Corbyn, o líder esquerdista do Reino Unido de maior expressão

O ex-líder do Partido Trabalhista inglês Jeremy Corbyn foi banido de disputar eleições pelo Comitê Executivo Nacional (NEC, na sigla em inglês) da própria sigla. A moção foi movida pelo atual líder trabalhista, Keir Starmer. 

A decisão baseia-se em acusações de antissemitismo contra outros membros do Partido Trabalhista durante o período em que Corbyn chefiou a sigla. O próprio Corbyn nunca foi acusado de proferir declarações antissemistas, mas foi alvo de acusações indiretas coordenadas por setores direitistas do partido e da sociedade civil. 

As próprias acusações contra membros do Partido baseiam-se, em grande parte, em críticas feitas por membros ao Estado de Israel, que conduz uma política genocida e de apartheid contra os palestinos. Israel é governada atualmente pela extrema direita e, de acordo com a posição de seus ministros e primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a Palestina “não existe”. 

Corbyn, que deve agora disputar eleições como um candidato independente, qualificou a decisão do NEC como “vergonhosa” e disse que o órgão desprezou seus milhões de eleitores.