Deputados da comissão criada para acompanhar o caso João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado até a morte em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS), pretendem propor aplicação de sanções econômicas às empresas que permitirem práticas racistas. De acordo com o coordenador do colegiado, deputado Damião Feliciano (PDT-PB), a medida é um dos principais focos de atuação do grupo.

João Alberto foi espancado e morto por dois homens brancos em uma unidade do supermercado Carrefour no bairro Passo D’Areia, na zona norte de Porto Alegre, na noite de quinta-feira, 19, véspera do Dia da Consciência Negra. Um dos agressores era segurança do local e o outro um policial militar temporário. Eles foram presos em flagrante.

O deputado também avalia a criação de um “ranking anual” das empresas acusadas de racismo. Segundo ele, a ideia é que a lista seja divulgada também em outros países, como mais uma tentativa de atingir economicamente as empresas. “Não queremos fazer trabalho de revanche, violência, mas dar uma posição que atenue o racismo”, disse.

A comissão deve realizar uma série de reuniões sobre o tema. Nesta sexta-feira, 27, acontecerá uma audiência pública com juristas negros. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi convidado para participar do evento. Também está prevista uma reunião de parte dos parlamentares com autoridades que atuam no caso em Porto Alegre na próxima terça-feira, 1.

Segundo o coordenador, está marcada ainda uma reunião com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A intenção é que outros encontros sejam agendados ao longo das próximas semanas para ouvir parentes de João Alberto, movimentos sociais, representantes do Ministério Público, da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Federal. O colegiado também quer se reunir com o presidente nacional do Carrefour no Brasil.

Fonte: Midiamax